terça-feira, 23 de setembro de 2008

CIDADE DE PARATY


Beneficiada por um litoral recortado e de águas tranqüilas, pela fartura de água potável e pela riqueza da fauna e flora, a População indígena, oriunda de tribos goianás, apresentava-se numerosa na região de Paraty.
Esse fato motivou, desde a primeira metade do século XVI, incursões dos colonos do núcleo de São Vicente em busca de indígenas para escravizar na lavoura de cana.

De fato, o homem branco não tinha somente o objetivo de buscar gentios para o trabalho na lavoura, mas também lhe interessava a região, na medida em que constituíase de caminho que ligava São Paulo e Rio de Janeiro com as Minas Gerais, quando a Serra do Mar era praticamente um obstáculo intransponível.
Foi Martim Corrêa de Sá quem, em 1597, formou uma expedição utilizando-se de caminho por terra e mar, passando por Paraty, e alcançou a região das minas.
Um século mais tarde, numerosos colonos já habitavam às margens deste caminho.

Entretanto, os primeiros colonos foram arregimentados pelo Capitão-Mor João Pimenta de Carvalho, que se fixaram num local denominado São Roque, posteriormente "Vila Velha".
O contato com indígenas foi importante no conhecimento de trilhas por eles abertas entre o litoral e o planalto, destacando-se a que atingia Guaratinguetá,
através da localidade de Cunha. Dessa forma, achou-se por bem transferir o povoado para local mais próprio, estabelecendo-se,
assim, às margens do Rio Perequê-Açu, um pequeno núcleo em terras doadas por D. Maria Jácome de Mello,
onde foi erguida uma capela em homenagem a Nossa Senhora dos Remédios, que deu origem à atual Paraty que, na língua tupi, significa "peixe de rio" ou "viveiro de peixes".
O povoado mostrava-se próspero, o que levou à emancipação e à elevação à categoria de vila, dada pela Carta Régia de 28 de fevereiro de 1667,
assinada pelo rei Afonso VI, com o nome de N.S. dos Remédios de Paratii.
O declínio da cana-de-açúcar e a busca do ouro fizeram com que se reintensificasse a utilização das primitivas trilhas
indígenas, principalmente as que partiam de Paraty.

Esta circunstância veio colocar a vila como intermediária de escoamento de boa parte da produção de metais preciosos do planalto paulista e da região mineira.
A política portuguesa de não permitir a abertura de outros caminhos,
para facilitar a fiscalização da circulação de ouro, fortaleceu ainda mais a posição privilegiada de Paraty,
que teve sua condição de entreposto oficialmente reconhecida com o estabelecimento,
no sopé da serra, de uma casa de registro de ouro.
Paraty passou a constituir a única via de acesso aos planaltos paulista e mineiro, estabelecendo-se intenso Comércio com a crescente demanda dos mineiros.Próspera e muito rica,
Paraty vem despertar a cobiça à pirataria, o que leva o governo português a transferir o embarque do ouro para a cidade do Rio de Janeiro por motivos de segurança.
Com essa mudança, outra via de escoamento passou a ser utilizada,
o "Caminho Novo do Tinguá",
o que levou declínio econômico para a região.
A substituição do ouro pelo café no século XIX teve, também em Paraty,
importante ponto de apoio, servindo este núcleo, em conjunto com Angra dos Reis, Mangaratiba, Ubatuba e outros, de porto marítimo para escoamento da produção do Vale do Paraíba.

O declínio da importância de Paraty ocorre no final do século XIX, com a melhoria da infra-estrutura de transporte do planalto,
passando o café a ser recolhido por via férrea e diretamente conduzido para o Rio de Janeiro.
Apesar da abertura de rodovia em leito natural para as localidades paulistas de Cunha e Guaratinguetá, em meados do século passado,

Paraty somente veio a ser redescoberta há poucas décadas, com a abertura da rodovia BR-101, a Rio-Santos, e com a assinatura do Decreto 58.077, de 24 de março de 1966, pelo qual foi declarada Monumento Histórico Nacional.

Posteriormente, foi reconhecida pela UNESCO como patrimônio cultural da humanidade.
Praticamente todo o território paratiense é objeto de Áreas de proteção ambiental. Juntamente com Angra dos Reis, Paraty se caracteriza como uma das mais antigas povoações do sul fluminense, tendo grande importância a indústria do turismo
e de veraneio.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

A MAÇONARIA EM PARATY

A MAÇONARIA
Cunhal de pedras e simbolos maçons

A maçonaria surgiu durante a Idade Média na Europa, quando a poderosa Igreja Católica proibia reuniões de pessoas que pudessem questionar ou colocar em risco seu domínio. Assim, para fugir dos inquisidores católicos, grupos da iniciante classe média (intelectuais, artesões e comerciantes) formaram uma espécie de associação secreta, a maçonaria, que visava a busca da verdade através da razão e da ciência e não apenas através da fé.

Essa associação muito se baseou na organização dos pedreiros quando da construção do Templo de Salomão, no atual estado de Israel, onde trabalharam 153.000 operários. Para organizar um empreendimento desse porte, numa época que nem o papel era utilizado, criou-se uma metodologia simples e funcional: para fins de remuneração e obediência os pedreiros foram divididos em três classes: aprendiz, companheiro e mestre (apesar da maçonaria dividir seus membros em 33 clasesses, as três primeiras são denominadas de aprendiz, companheiro e mestre).

Cada classe tinha um conjunto de códigos e sinais secretos para que se reconhecessem entre si. Para não ocorrer tumultos ou brigas, freqüentemente havia reuniões onde os mestres conscientizavam a importância do respeito mútuo e ajuda ao próximo para que aquele empreendimento pudesse chegar ao fim. Daí vem a relação dos maçons com pedreiros e do uso de alguns símbolos relacionados com essa atividade profissional (maçom em francês significa pedreiro).

A simbologia maçônica possui uma linguagem lógica e complexa, utilizando desde símbolos com figuras geométricas a sinais, toques de mão e batidas especiais. Um dos poucos símbolos conhecidos pelos não-maçons é o triângulo, que representa Deus, ou como é mais conhecido pelos maçons, o Grande Arquiteto do Universo.

Sobrado com símbolos maçons

A maçonaria é uma organização não religiosa, cujos membros podem ser de qualquer credo religioso, desde que acreditem num único Deus. Seus integrantes seguem o livro feito em 1723 por James Andersons para a Grande Loja de Londres, com rígidas normas morais e éticas. O lema “liberdade, igualdade, fraternidade” também é adotado pela maçonaria apesar de, contraditoriamente não permitirem o ingresso de mulheres e darem preferência a membros de classes sociais mais altas.

A maçonaria atual possui fins filantrópicos e filosóficos, buscando o progresso da humanidade. Apesar de não possuir definição político ou religiosa, a maçonaria sempre procurou interferir no campo político-ideológico, o que faziam ora estar no poder, ora serem perseguidos.

Conjunto de sobrados com símbolos maçons

Perseguidos na Europa, começaram a chegar no Brasil no século XVIII, durante o ciclo do ouro. Muitos se estabeleceram em Paraty, que na época era o ponto intermediário entre a capital e as minas. Em 1833 fundaram na cidade a loja maçônica “União e Beleza” (na esquina da rua do Comércio com a rua da Cadeia) e muito influenciaram na arquitetura da cidade. O ano da fundação coincidência ou não, é um número de elevada importância para a Maçonaria que, segundo a interpretação ortodoxa da Bíblia, seria a duração em anos da vida de Cristo. Derivando desse número, o triângulo é o símbolo maçom por excelência.

A influência da maçonaria pode ser notada em vários detalhes da arquitetura da cidade. As casas do centro histórico que ficam em esquinas possuem três cunhais de pedra formando um triângulo imaginário. O centro histórico de Paraty foi construído com 33 quarteirões. As plantas das casas foram feitas na escala 1:33.33. E se na Europa os símbolos maçons tinham que ser discreto por causa das freqüentes perseguições, o mesmo não acontecia em Paraty: os sobrados cujos proprietários eram maçons possuem faixas repletas de desenhos geométricos de linguagem maçônica.

Um dos fundadores da loja maçônica em Paraty foi o vereador José Campos do Amaral, que convenceu a Câmara a formular em 1833 o código de postura e obras de Paraty, obedecendo alguns critérios maçons. Graças a esse código e ao isolamento geográfico ocorrido entre 1870 e 1950 a cidade manteve preservadas suas características arquitetônicas. Quando do fechamento da Loja União e Beleza alguns móveis com símbolos maçons foram doados à Camara dos Vereadores, onde se encontram até hoje.

Para quem considera que o texto acima explica algo sobre a Maçonaria, necessário repetir a frase do General Albert Pike, líder supremo de uma das ordens da maçonaria: “A Maçonaria oculta os seus segredos de todos, à exceção dos seus seguidores e sábios, ou os Eleitos, e utiliza falsas explicações e falsas interpretações dos seus símbolos para induzir a erro aqueles que merecem ser induzidos em erro; para ocultar a Verdade destes e para a manter afastada dos mesmos.”

FAZENDAS HISTÓRICAS

FAZENDAS HISTÓRICAS
Sede da Fazenda Bom Retiro

Enquanto nas fazendas do nordeste brasileiro haviam construções separadas para o engenho de açúcar, para a moradia, para a senzala e para a capela, no sudeste, uma única cobertura abrigava todas essas atividades.

As antigas fazendas de Paraty eram áreas rurais destinadas a agricultura e à produção de aguardente e açúcar. Seus casarões eram construídos para atender essa finalidade rural/industrial e ainda serviam de residências aos proprietários e escravos. Todas as fazendas aqui mencionadas possuem (ou possuíam) rodas d’água que moviam o engenho e a casa de farinha (local de produção de farinha de mandioca).

Para facilitar a produção de pinga, os casarões eram construídos em três níveis. No nível superior ficava a roda d’ água e o engenho. Na parte externa do nível intermediário ficava o alambique (equipamento utilizado para destilar a pinga) que recebia por gravidade o caldo de cano vindo do engenho. Na parte interna desse nível estava a residência dos proprietários, sempre com vista privilegiada para a fazenda ou para o mar. No nível inferior ficava numa parte a senzala e, em outra, os barris de pinga, recebendo por gravidade a pinga destilada no alambique.

A produção das fazendas acompanhava os ciclos econômicos do Brasil. No século XVIII plantava-se cana-de-açúcar para produção de açúcar, melado e pinga. No século XIX plantava-se café, sem no entanto abandonar por completo a produção da pinga.

As paredes dos casarões são, até hoje, de pau-a-pique (estrutura de troncos finos e verticais entrelaçados com bambu e preenchidos com barro) e os telhados são cobertos por telha colonial (moldadas nas coxas dos escravos), não possuindo forro. As fazendas não possuem a mesma área de terra de antigamente, mas seus casarões apesar de estarem mal conservados, são de grande beleza. Os alambiques que havia nelas também não estão mais em operação. Dos casarões das antigas fazendas restaram os seguintes:

Fazenda Boa Vista
O alambique da fazenda Boa Vista foi um dos mais tradicionais de Paraty, produtor da pinga Quero Essa, hoje produzida em outro local. O casarão da sede da fazenda foi construído no século XVIII. Em 1854 foi adquirida pelo avô materno do escritor Thomas Mann. Posteriormente foi comprada por Miguel Freire da Mata que a vendeu para a Companhia Agrícola e Industrial Fluminense, falindo logo depois, ficando a fazenda e o casarão abandonados.

O casarão está localizado na beira do mar e possui belíssima vista para a baía de Paraty e para a cidade. No piso intermediário, onde era a residência dos proprietários, há uma sacada contornando todo o andar. O casarão foi tombado em 1957 pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Hoje é a sede de uma marina, onde ficam os veleiros do navegador Amyr Klink.

Fazenda Bananal
Atualmente conhecida como Murycana, essa fazenda já pertenceu à Dona Geralda Maria da Silva e posteriormente a Samuel Costa, ambos figuras de importância histórica em Paraty. Possuia originalmente 314 alqueires. O antigo Caminho do Ouro, com seus tropeiros e bandeirantes, passava pela fazenda. O casarão da fazenda é uma edificação de uso residencial/industrial – sede da fazenda e engenho. As paredes foram construídas de pau a pique, sendo as colunas feitas de pedra e óleo de baleia. O pavimento superior era destinado à residência e o inferior servia de senzala e, posteriormente, para a fabricação de pinga. A roda d’água que move o engenho é de origem inglesa e possui aproximadamente 200 anos. No alambique já foram produzidas as pingas das marcas Paratiana, Serrana e Murycana. Atualmente o alambique não está mais funcionado.

Hoje o lugar é uma fazenda turística com pequeno museu, restaurante, passeios a cavalos e parques para criança e adultos, esse último possuindo equipamentos para prática de esporte de aventura como arvorismo e tirolesa.

O CAMINHO DO OURO


O Caminho do Ouro é uma antiga trilha indígena que unia as tribos de Paraty com as do Vale do Paraíba.

Em 1660 foi alargada por ordem de Salvador Corrêa de Sá e teve seu trajeto ligeiramente modificado.

No início do século XVIII foi calçada com pedras, retiradas dos rios próximos, passando a ser usado para escoar o ouro das “minas gerais” e para abastecê-la com gêneros alimentícios.

História e
natureza andam juntas pela estrada calçada com pedras que inicia próxima a Paraty e termina no alto da serra.

A natureza bela, repleta de árvores, córregos e cachoeiras, envolve uma história feita de sangue, suor e ouro. Ouro que trouxe felicidade a alguns, mas suor e sangue para muitos índios e escravos forçados a trabalhar nas minas, na construção das estradas e no carregamento do ouro.

Durante a colonização do Brasil, essa trilha foi aproveitada pelos portugueses para desbravar as regiões do Vale do Paraíba e de Minas Gerais. As tropas de mulas subiam e desciam tão intensamente essas trilhas que foi necessário calçar os trechos de serra para suportar o tráfego.

O trecho calçado com pedras começa, na sua parte mais baixa, junto à igreja do Penha, terminando, aproximadamente, dez quilômetros acima, próximo à divisa entre Paraty e Cunha. A maior parte do caminho está dentro da mata, sendo que alguns trechos estão coberto por terra e vegetação e, outros foram destruídos pelo tempo ou pelo homem. Porém em quase todo o trajeto o calçamento de pedras está visível.

Mirante no Caminho do Ouro

O passeio pelo Caminho do Ouro pode ser feito de três formas, descritas e planilhadas no
capítulo de Trilhas:

1. Trecho dentro do Sítio Histórico e Ecológico Caminho do Ouro (SHECO): por iniciativa privada, historiadores, arqueólogos e arquitetos foram contratados para recuperar o trecho do caminho localizado dentro desse sítio. No local foram encontradas ruínas da Casa do Quinto. O Sítio Histórico e Ecológico organiza passeios levando turista desde Paraty. Informações podem ser obtidas nas
agências de turismo da cidade.

2. Trecho abaixo do Sítio Histórico e Ecológico Caminho do Ouro: esse trecho está parcialmente destruído pela ação do tempo e do homem. Começa pouco antes do SHECO e termina na
cachoeira do Tobogã.

3. Trecho completo: inicia junto à ruína do bar Fecha Nunca, localizado no alto da serra e, termina na cachoeira do Tobogã, passando pelo Sítio Histórico e Ecológico Caminho
do Ouro.

COLONIZAÇÃO DE PARATY


Foi em 1502, durante a segunda expedição ao Brasil, que a região da baía de Ilha Grande foi descoberta.

A colonização das terras brasileiras ocorreu pelo sistema de sesmarias, onde o donatário recebia um pedaço de terra e tinha a obrigação de colonizá-la no prazo de cinco anos, sob pena de perdê-la.

No caso de Paraty e Angra dos Reis as sesmarias eram entregues a colonos da capitânia de São Vicente.

A primeira sesmaria da região foi dada em 1560 em algum local do atual município de Angra dos Reis. Em 1593 foi doada nas proximidades do rio Paraty-Mirim a primeira sesmaria em Paraty.

Entretanto acredita-se que antes das doações da sesmaria já havia sido iniciado o processo de colonização de Paraty. Em 1563 o padre Anchieta passou duas ou mais vezes por Paraty visitando as aldeias de Iperoig (Ubatuba) e Araribá (Angra dos Reis), tentando fazer um tratado de paz entre os portugueses e os
índios tamoios (ou tupinambás). Cunhambebe, cacique da aldeia Araribá e líder da Confederação dos Tamoios, manda construir para o padre Anchieta, no fundo do Saco de Mamanguá, à margem do rio Iriró, uma “casa grande de dizer missas e pernoitar”, em agradecimento ao padre por ter salvado índios da aldeia com varíola. Próximo a esse lugar existe um pico chamado Cairuçu que sendo uma corruptela de ocairuçu significa em tupi oca=casa e uçu=grande. Entretanto não conseguindo o acordo de paz, em 1565 o padre Anchieta passa mais uma vez por Paraty, pernoitando na praia do Pouso e acompanhado de expedição guerreira para combater os tamoios em Uruçumirim (atual bairro da Glória no Rio de Janeiro)


No ano de 1573, mercenários europeus a mando do Governador Antônio de Salema, fazem uma expedição de Cabo Frio até Paraty escravizando ou exterminando índios tamoios que conseguiram escapar da batalha de Uruçumirim.

Outro motivo que leva a acreditar na colonização de Paraty começou antes das doações das sesmarias é que em 1596 o governador do Rio de Janeiro enviou uma expedição comandada pelo seu filho – Martim Correa de Sá - com “setecentos portugueses e dois mil índios” em busca de metal e índios tamoios, utilizando a trilha feitos pelos guaianases, próximo ao “porto denominado de Paratec”, demonstrado que o local já era conhecido como parada de embarcações. Martim Correa de Sá aguardou em Paraty (talvez em Paraty-mirim ou Mamanguá) a chegado de um índio de nome Aleixo vindo de Ubatuba liderando 80 índios flecheiros.

Alguns historiadores defendem que a expedição colonizadora de Martim Afonso esteve em Paraty no dia 16 de agosto de 1532, iniciando uma colonização portuguesa no local. Entretanto nessa época a região era dominada pelos índios tamoios, inimigos dos portugueses, que dificilmente permitiriam a permanência nessas terras.

Por razões geográficas seria fácil prever que Paraty seria rapidamente povoada: situada junto ao ponto mais baixo da Serra do Mar para passagem em direção ao interior; sua baía abrigada formava um porto natural; possuía água doce em abundância; a planície era boa para o cultivo e; estava situada no ponto intermediário entre os portos de Santos e Rio de Janeiro. Por outro lado, a planície costeira limitada pelo mar e pela serra, jamais permitiria que a vila tivesse uma grande atividade agrária, geradora de uma sólida economia urbana.

No ano de 1630
Maria Jácome de Melo recebeu uma sesmaria de “legoa e meia por costa” tendo o rio Perequê-Açu ao meio. Atendendo exigência do doador João Pimenta de Carvalho que chegou em Paraty no dia 16 de agosto (Dia de São Roque) daquele ano, construiu no alto do Morro do Forte uma capela dedicada a São Roque. A ocupação inicial da cidade ocorreu em torno dessa capela, localizada no Morro do Forte de onde se podia perceber com antecedência a chegada de navios inimigos.

Para que valorizasse suas terras, Maria Jácome de Melo doa em 1646 uma área em local próximo ao mar e compreendido entre os rios Perequê-Açu e Patitiba - área bastante alagadiça e sem possibilidade de cultivo - para que a povoação se estabeleça, com a condição de que se construísse uma igreja em louvor ao santo de sua devoção: Nossa Senhora dos Remédios.

Com a doação feita por Maria Jácome de Melo foi possível planejar de forma ordenada o crescimento da cidade. Em 1646 construiu-se, próximo ao rio Perequê-Açu, de pau-a-pique e cobertura de sapê, a primeira
igreja matriz da cidade e o pequeno povoamento cresceu em sua volta. Em 1650 havia no povoado mais de 800 habitantes sem incluir os aborígenes. Em 1668 essa igreja foi demolida para ser construída em seu lugar outra de pedra e cal.

Paraty pertenceu ao município de Angra dos Reis até 28 de fevereiro de 1667, quando o rei D. Affonso VI, considerando o crescimento e a superioridade econômica de Paraty, passou o povoado para condição de vila com o pomposo nome de Villa de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty. Esta é a data oficial de aniversário da cidade apesar do povoado já existir há vários anos. A população da vila era de aproximadamente 3000 pessoas.


No período que antecedeu o
Ciclo do Ouro a economia do Brasil estava baseada na exportação do açúcar. Paraty vivia principalmente das plantações de cana e mandioca para a produção de açúcar, cachaça e farinha. A trilha da Serra do Facão ou Trilha Guaianá era o caminho utilizado para a troca de produtos agrícolas com as vilas do Vale do Paraíba, além de ser a ligação mais rápida entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, através de um caminho marítimo-terrestre (do Rio a Paraty ia-se por mar em quatro a cinco dias e, de Paraty a São Paulo por terra em dez a quinze dias). O porto da cidade recebia escravos africanos destinados às plantações paulistas.

Nos meses de inverno, os índios desciam a serra em busca de pescado, pois sabiam que o peixe parati, entre os meses de março a setembro, subia os rios para desova, tornando-se presa fácil. Por esse motivo os índios chamavam essa região de paratii que significa água do parati (“parati” = espécie de peixe da família Mugil, “i”=rio ou água). Os jesuítas, catequizadores dos índios e os primeiros a estudar suas línguas, tinham o costume de substituir o duplo “i” pela letra “y” ficando assim o nome da cidade de “Paraty”. Entretanto em 1943 quando houve uma reforma ortográfica eliminando, entre outros, o “y” do vocabulário, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a escrever o nome da cidade com “i”, embora no Vocabulário Ortográfico Oficial, a Academia Brasileira de Letras considere que “os topônimos de tradição histórica secular não sofrem alteração alguma na sua grafia”, a exemplo do que ocorre com Bahia.
Apesar da grafia “Parati” ser aceita, o correto é a forma “Paraty”.

LINHA DO TEMPO




1502 – a baía de Angra dos Reis é descoberta durante a segunda expedição portuguesa no Brasil
1554 - primeira notícia escrita de Paraty, vinda do alemão Hans Staden que esteve prisioneiro dos
índios tamoios
1565 - Anchieta, acompanhado de expedição guerreira para combater os franceses e os índios tamoios em Uruçumirim (Rio de Janeiro), dorme na
praia do Pouso ao sul de Paraty
1593 - doação da primeira sesmaria em Paraty, próxima ao rio
Paraty-Mirim
1500
1532- Pero Vaz passa pela Ponta da Joatinga
1563 - o padre Anchieta passa duas ou mais vezes por Paraty tentando fazer um tratado de paz entre os portugueses e os índios tamoios
1573 - mercenários europeus a mando do Governador Antônio de Salema, fazem uma expedição de Cabo Frio até Paraty escravizando ou exterminando índios tamoios sobreviventes da batalha de Uruçumirim
1596 - uma expedição comandada por Martim Correa de Sá com “2.000 índios e 700 europeus” passa por Paraty com destino ao interior do país utilizando a
trilha aberta pelos índios guaianases na serra de Paraty
1630 -
João Pimenta de Carvalho chega em Paraty no dia dezesseis de agosto (Dia de São Roque) iniciando um povoado no atual morro do Forte
1646 - Maria Jácome de Melo doa parte de suas terras, entre os rios
Perequê-Açu e Patitiba (atual Mateus Nunes) para a vila ali se estabelecer, com a condição de se respeitarem os índios que ali viviam ou passavam e que se construísse uma capela em louvor a Nossa Senhora dos Remédios
1667 - Paraty é oficialmente separada de Angra dos Reis com o nome de Villa de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty
1695 - descoberta de ouro na região das minas gerais. Nessa época Paraty possuía o melhor acesso para as minas

1600
1630 - em quatro de outubro desse ano
Maria Jácome de Melo recebe uma sesmaria de légua e meia de terras, cortadas pelo rio Perequê-Açu
1660 - os
Capitães Domingos Gonçalves de Abreu e Jorge Fernandes da Fonseca levantam o pelourinho numa tentativa de independência de Angra dos Reis
1680 (aprox.) - a vila é atacada por piratas mas são repelidos pelos moradores
1701 - Carta Régia determina o fechamento do caminho baiano para as minas
1703 - Carta Régia determina a abertura das Casas do Quinto de Paraty e de Santos, fechando todas as demais
1710 - proibido o uso do caminho de Paraty para transporte do ouro
1713 - Carta Régia proíbe a presença de ordens religiosas em zonas auríferas ou nos seus caminhos
1720 - com a criação da Capitânia de São Paulo, Paraty passa para jurisdição dessa (em 1726 volta para a jurisdição do Rio de Janeiro)
1722 – construção da igreja da Santa Rita, feita pelos pardos libertos
1726 - aberto o Caminho Novo da Piedade, ligando por terra Rio de Janeiro a São Paulo. Até essa data o melhor caminho entre as duas cidades era o caminho marítimo/terrestre passando por Paraty
1757 - mudança da capela de Nossa Senhora da Conceição do Mamanguá para Paraty-Mirim
1787 - início da construção da atual igreja Matriz (terminada 86 anos depois)
1700
1702 - o governador do Rio de Janeiro torna obrigatório o uso do porto de Paraty para quem viesse das minas e complementa que pelo caminho baiano não se podia levar nenhuma mercadoria a não ser gado.
1710- piratas tentam invadir a vila, mas são novamente repelidos
1711- um exército de 580 paratienses comandados por
Francisco Amaral Gurgel negocia a saída de 6.000 corsários franceses liderados por Renato Dugay Trouin que haviam tomado o Rio de Janeiro. O governador e o exército local haviam fugido da cidade.
1720 - construção da capela Nossa Senhora da Conceição, no saco de Mamanguá
1722 - com o título Descaminho do Ouro foi aberta uma devassa para apurar as responsabilidades do constante contrabando de metal precioso
1725 - construção da
igreja de Nossa Senhora do Rosário, feita pelos negros
1726 - construção do primeiro cais de Paraty, provavelmente de pedras e na margem do rio Perequê-Açu
1763 - a capital do Brasil passa de Salvador para o Rio de Janeiro, aumentando o comércio entre Paraty e Rio de Janeiro

1800 - início do
Ciclo do Café. Paraty era o porto utilizado para escoar o café do Vale do Paraíba
1813 - a Villa de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty é enobrecida com o título de Condado
1844 - a vila é elevada à categoria de cidade
1851 - construção do Chafariz do Pedreira
1888 - Abolição da escravatura. Paraty dependia muito da mão de obra escrava, seja para as lavouras seja para manter aberto os caminhos pela serra
1800
1800 - construção da
igreja Nossa Senhora das Dores, feita pela aristocracia
1808 - vinda da família real para o Brasil, dando um grande impulso no comércio de Paraty com Rio de Janeiro
1822 - início da construção da
Santa Casa
1850 - Paraty possui mais de 150 alambiques para destilação de pinga, utilizada principalmente na troca por escravos
1870 - terminada a Estrada de Ferro D. Pedro II ligando o Vale do Paraíba direto ao Rio de Janeiro sem passar por Paraty. Início da decadência econômica da cidade

1928 - iluminação elétrica chega na cidade
1950 - aberta a estrada Paraty/Cunha, a primeira que permitia acesso a carro até Paraty
1970 - aberto o trecho da rodovia BR-101 ligando Rio de Janeiro a Santos, passando por Paraty. Início do desenvolvimento turístico
1900
1937 - tombamento da cidade pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
1968 - refeito o trajeto e melhorada a estrada Paraty/Cunha
1975 - correntes grossas impedem o acesso a carro dentro do centro histórico

PARATY E OS ÍNDIOS

Os índios Tuppin Inba
(tuppin=tupi / inba=descendente)
são considerados pelos historiadores como
“o povo tupi por excelência”
e eram esses índios que ocupavam a região costeira do cabo de São Tomé
(norte do estado do Rio de Janeiro)
à Cananéia (sul do estado de São Paulo) na época do descobrimento do Brasil, com maior concentração entre Cabo Frio e Ubatuba. O mais antigo e importante registro da extensão do território tupinambá foi feito pelo náufrago alemão Hans Staden, capturado em Cananéia pelos tupinambás em 1554 e transportados pelo chefe Cunhambebe até as aldeias indígenas de Mambukabe e Tickquarippe (atuais Mambucaba e Taquari, ao norte de Paraty), ficando prisioneiro desses índios por quase um ano. Nessa época as duas principais aldeias tupinambás eram Ariró (em Angra dos Reis) e Iperoig (Ubatuba). Paraty situava-se no meio dessas aldeias.
Vizinhos aos tupinambás, mas do outro lado da serra do mar, na região de Piratininga (atual cidade de São Paulo) e no Vale do Paraíba, moravam os índios Tuppin Ikin (tuppin=tupi / ikin=vizinho). Nos meses de frio (maio a agosto) desciam anualmente a serra, em diversos pontos, em busca de
peixes e mariscos, os quais salgavam ou defumavam para levar serra acima, onde misturavam com outro tipo de alimentação (os meses que os índios desciam para Paraty coincidem com a época que o peixe parati subia os rios para desova, tornando-se presas fáceis). A trilha aberta por eles, num dos pontos mais baixos da Serra do Mar, conhecido pelos portugueses como Serra do Facão, seria futuramente utilizada para escoar o ouro das “minas gerais” e, mais tarde, o café do Vale do Paraíba. Os índios chamavam essa mesma serra de Bocaina que em tupi significa caminho para o alto ou caminho no mato ou ainda de Paranapiacaba cuja tradução é mar a vista.
Esses dois grupos indígenas - tupiniquins e tupinambás - apesar de serem inimigos entre si, na época do descobrimento do Brasil, estavam vivendo um período de relativa harmonia. As áreas de domínio de cada tribo estavam definidas e, eventualmente, as tribos podiam passar pelo domínio vizinho sem serem incomodadas. Essa harmonia seria logo quebrada por incentivo dos portugueses.
A abrigada
baía de Paraty, seus inúmeros rios navegáveis de canoa e a farta biodiversidade da Mata Atlântica, garantiam a abundância de peixes, caça, água potável, frutos e lenha, razão da grande quantidade de indígenas que por aqui viviam ou passavam. O próprio nome da cidade vem da língua tupi e se refere a uma espécie de peixe da família Mugil, abundante nessa região e muito apreciado pelos índios. Esse peixe, o parati, tem a característica de nadar pela superfície da água, o que o tornava presa fácil paras as certeiras flechas indígenas.
Os tupiniquins chamavam os tupinambás de tamoios que significa mais antigo e, chamavam as aldeias amigas de guaianã que em tupi significa verdadeiramente manso (guaya= manso e nã=verdade). Os portugueses, acostumados a ouvir os tupiniquins chamando os índios amigos de guaianã acharam que essa palavra se referia àquela casta de índio e por essa razão acabaram chamando os tupiniquins de guaianases, concluindo erroneamente que era a forma que eles se autodenominavam. Uma outra hipótese para os portugueses chamares os tupiniquins de guaianases está no fato de que quando estes desciam para o litoral no meses de inverno em busca de alimento, ficavam em tocas formadas por grandes pedra e em tupi goiaminis quer dizer aquele que vive sob pedras e sua pronuncia é parecida com guaianáses.
O português João Ramalho, náufrago que chegou ao Brasil antes da expedição colonizadora de 1532 comandada por Martim Afonso de Souza, casou-se com a filha de Tibiriçá – um dos mais importantes chefes tupiniquins. João Ramalho utilizou sua influência junto aos índios dessa casta para fazer uma aliança entre os portugueses e os tupiniquins. Por causa dessa união, quando se doava uma sesmaria na região de Paraty costumava-se mencionar na Carta de Sesmaria que os índios guaianases não deveriam ser molestados.
Percebendo que seus inimigos se aliaram aos portugueses, os tupinambás (ou tamoios) logo se aliaram aos franceses que estavam iniciando uma colonização em Uruçumirim (atual Morro da Glória na cidade do Rio de Janeiro). Pouco depois que a união tupiniquim/portugueses derrotou os tupinambás/franceses em 1567, começou o extermínio dos tupinambás remanescentes - a maioria mulheres, que foram feitas escravas, e velhos e doentes, “passados a fio de espada” conforme palavras do próprio governador do Rio de Janeiro, Antônio de Salema. Esse extermínio ocorreu através de diversas bandeiras pelo litoral (as mais conhecidas são as lideradas por Araribóia em 1570, Antônio de Salema em 1573 e por Martim de Sá em 1596, todas passando por Paraty).
Desabitadas as aldeias em Paraty, os tupiniquins começaram a frequentar cada vez mais o local, muitos ficando para morar. Os registros da colonização de Paraty são de meados século XVII, quando os tupinambás já haviam sido exterminados, e a região era dominada pelos tupiniquins (ou guaianáses), motivo pelo qual sempre se comenta da presença dos “guaianáses”e não dos tupinanbás ou tamoios.
A partir do século XVII os tupiniquins foram colocados em aldeias de repartição onde eram catequizados e depois repartidos ou alugados para colonos, perdendo completamente suas características, a ponto de serem considerados um povo extinto।
Levantamentos arqueológicos feitos na década de 1970 demonstram que os índios de Paraty eram nômades ou seminômades, morando em abrigos provisórios, em especial grutas e tocas formadas por grandes pedras.
Em duas ocasiões distintas (1853 e 1872), respondendo ao governo da província, a Câmara Municipal informou que não havia terras ou aldeias indígenas em Paraty. Na década de 1980 o governo federal deu a oportunidade para índios guarani-mbyá, liderados pelo cacique Vera-Tupã se estabelecerem em Paraty, criando para eles duas reservas indígenas: Araponga e Paraty-Mirim.
A aldeia Araponga, localizada próxima a BR-101, na altura da Vila do Patrimônio, possui aproximadamente 45 índios e está numa reserva florestal de 224 hectares. A aldeia Paraty-Mirim, localizada junto à estrada de terra que leva à praia do mesmo nome, possui 26 famílias com 120 índios e uma reserva de 80 hectares. Os índios possuem, além do nome indígena, um nome de batismo. As aldeias possuem escolas diferenciadas, ensinando na língua guarani o currículo tradicional.
O povo guarani divide-se em três grupos: Kayowá, Nandéva e Mybá e foi o que mais resistiu a aculturação, refugiando-se em florestas subtropicais do sul do Brasil, Paraguai e Uruguai. Possuem tradições que remontam ao século V antes de Cristo. Existe ainda em Paraty um pequeno assentamento de índios guarani-nandéva, na região do Rio Pequeno, onde vivem doze índios numa área de 36 hectares.
A fabricação de farinha de mandioca e o
artesanato são suas principais atividades econômicas. O artesanato indígena tem a preocupação estética de representar a fauna e a flora, seja através das cores dos cocares e cestos ou das esculturas de animais selvagens em madeira.
Os índios podem ser encontrados nas ruas de Paraty vendendo seu artesanato. Também podem ser vistos no caminho da
praia de Paraty-Mirim que passa pela reserva indígena.
Conheça alguns vocábulos indígenas que serviram para dar nomes na região:
Araponga (nome de uma das aldeias indígenas) (ara=ave / ponga=ruído – “nome de uma ave que faz um ruído como uma batida de martelo”)
Beiju (nome de uma comida indígena) (beiju=bolo de mandioca torrada)
Bocaina (nome da serra próxima à Paraty) (“entrada do mato” ou “caminho para o alto”
Caborê (nome de um bairro) (corruptela de caá-por-é caá=mato / por=povo – “povo que vive no mato” )
Cairuçu (nome de um pico) (1a possibilidade: cai=macaco / uçú=grande - “espécie de macaco conhecido como Muriqui” / 2a possibilidade: corruptela de ocairuçu / oca=casa / uçu=grande)
Cajaíba (nome de uma enseada) (acaya=árvore / yba=cajá – “cajazeira”)
Iriri (nome de um rio e de uma praia) (i=rio / riri=ostra)
Itanema (nome de uma praia) (itanema=metal fétido ou cobre)
Itaoca (nome de uma praia) (itá=pedra / oca=casa)
Jabaquara (nome de uma praia e um bairro próximos à cidade) (yabá=fugir / quara=esconderijo – “quilombo”)
Joatinga (nome de uma ponta da costa) (yuá=fruto ou espinho / tinga=branco)
Jurumirim (nome de uma praia localizada numa pequena baía) (juru=baía / mirim=pequena)
Mamanguá (nome de uma enseada) (mamanguá=pasto)
Mambucaba (nome de um rio e de uma praia) (mambukabe=lugar das abelhas mambucas, grandes produtoras de mel)
Paratii (nome dado pelos índios à região onde se localiza a cidade) (parati=uma espécie de peixe / i=rio, água – “rio ou água onde há parati”)
Patitiba (nome de um rio e um bairro próximos à cidade ) (1a possibilidade: paty=palmeira / tyba=lugar) (2a opção: corruptela de paratitiba: parati=espécie de peixe / tyba=lugar – “lugar do parati”)
Perequê-Açu (nome do rio que margeia a cidade) (pirá=peixe / ikê=entrada / açú=grande - “grande estuário onde os peixes entram, geralmente para desova”)
Paranapiacaba (nome dado pelos índios à Serra do Mar) (“mar a vista”)
Taquari (nome de um bairro) (takua=taquara / ri=pequena)